Desde o ano passado estou querendo conhecer o tão famoso Mocotó aqui em São Paulo, lá na Vila Medeiros, bem longe, sentido Guarulhos. Esse é um daqueles restaurantes que várias pessoas já vieram me perguntar se conhecia e quando dava a resposta, sempre enchiam a boca para falar bem da camida, das cachaças, das tapiocas e principalmente do torresmo.

O Mocotó é comandado pelo Chef Rodrigo Oliveira que foi apontado como um dos brasileiros mais influentes do ano pela revista Época. Rodrigo tem um pé no Nordeste por ser filho de um pernambucano radicado em São Paulo e quem deu início ao estabelecimento que por acaso na saída cruzei com seu pai, Zé Almeida. Para minha surpresa ele se apresentou e contou um pouco da história do restaurante, a tão falada espera por uma mesa, as novas idéias, a migração do restaurante do lado de lá da rua para o lado de cá e informou que seu filho estava em Brasília produzindo um evento. Pessoa extremamente simpática, atenciosa e sabe dar valor para os clientes que vão até lá provar as delícias nordestinas preparadas pelo seu filho, e ao que me paraceu, jeitinho passado de geração em geração!

Ir ao Mocotó é literalmente um programão pois você tem que armar com amigos, pois não tem tanta graça indo de casal ou em 3 pessoas por exemplo. Amigos reunidos, acione seu GPS e vá para a Vila Medeiros, o que dura no mínimo 30 minutos durante o final de semana. Já cansou, aguenta que ainda vem mais. Chegamos as 02:00pm, horário considerado ruim devido a já estabelecida longa espera. Pedimos a mesa e a estimativa para sentar eram de 2 horas no mínimo. Como era domingo, aceitamos sem problemas, afinal não estávamos com pressa. Foi-se a primeira cerveja Original, a segunda, a terceira, até perder a conta junto com as cachaças que os gaçons iam nos apresentando entre uma cerveja e outra. Com a cerveja, a fome veio e fomos pedindo algumas entradinhas para comer alí em pé, pois as mesas para os clientes na espera já estavam ocupadas. Comemos tantas entradinhas que fome quase passou, mas aguantamos firme e depois de mais ou menos 3 horas nosso número da espera foi chamado pelo comandante das mesas.

Abaixo listei todas as entredas e pratos que comemos, tanto do lado de fora na espera quanto lá dentro devidamente sentados.
Torresmo
> O tão falado foi o primeiro a ser pedido pelo meu parceiro desta série de posts, Negron. Realmente é uma nova proposta de torresmo! Ele vem com a capa da gordura como se fosse uma pururuca, bem crocante. Até brinquei que parecia um Baconzitos. Com a capa de gordura extremanente crocante, o miolo, aonde está a carne, é bem suculento e macio! Não tem como ir ao Mocotó e não provar!

Bruscheta de Carne Seca
> O garçon passou algumas vezes do nosso lado com bandeijas de bruschetas, todas elas com uma cara bem boa, sabe? Não deu outra: “desce uma Bruscheta”!
De seca não tem nada. A mistura da carne seca com tomatinhos, pimentas e outros ingredientes que não soube destinguir, é impecável!

Quadrados de Tapioca
> Esse sim! Para mim, um dos mais simples, mas um dos pratos que mais gostei! Os quadradinhos de tapioca são fritos e servidos com um molho agridoce a base de pimenta. Ele é bem macio e dá para você sentir a goma da farinha de mandioca! Vale muito a pedida.

Queijo Coalho
> O prato é composto por algumas fatias de queijo coalho, algo bem simples para mim, que venho lá de cima! As fatias são feitas na chapa e acompanha melaço que dava um outro tom ao prato, porém sem muita novidade.

Mini Escondidinho de Carner Seca
> Bem gostoso, mas fui informado que a versão grande deste prato seria ainda melhor, mas como estávamos na espera e tínhamos que comer em pé… é aquela história, quem não tem cão, caça com gato. Provei e achei ótimo! Vem com uma pimenta biquinho que para quem sabe como funcionam as coisas no Nordeste, come tudo junto.

Mandioca Chips
> Junto com o queijo coalho, esse também é bem simples. São fatias bem finas de mandioca fritas no óleo. Sugiro colocar um pouco de sal e comer junto com a cerveja ou pedir na mesa caso ainda não tenha provado durante as horas de espera.

Tapioca de Carne Seca
> Também MUITO boa! Mais uma vez, de seca não tem nada! A carne seca misturada com os ingredientes que acompanham o “enrrolado” da tapioca deixa ela ainda melhor! Também vale muito a pedida.

Caldo de Mocotó
> Só de curiosidade pedimos na mesa o caldo que é de onde saiu o nome do restaurante. Quase um “levanta difunto”, sabe?!?! Muito saboroso, muito bem temperadinho, mas difícil de comer sozinho!

Cordeiro
> O também tão falado cordeiro chegou a mesa e todos pularam em cima! Bem saboroso, mas ainda assim achei um pouco seco. O prato acompanha cuscuz e um variado de legumes. Para minha surpresa, aquele cuscuz que para mim seria o que estamos acostumados a encontrar aqui em São Paulo, era o cuscuz autêntico nordestino! Comi e voltei ao passado pois me fez lembrar quando comia esse prato com leite de côco e ovos mexidos na casa da minha mãe/avó Didi.

Peixada:
> Não sou grande fã de peixada, talvez por ter sido criado sendo alimentado por esse tão famoso prato no Nordeste… vai saber! Mas essa aqui, quando misturada com o arroz integral que acompanhava junto a farofa, ficava ótimo! O peixe desmancha na boca!

Carne do Sol com pimenta Biquinho
> Mais um prato que vimos muito passando nas bandeijas dos garçons duranta a longa espera. Para mim, carne seca é aquela coisa seca mesmo, diferente desta que me pareceu assada banhada com o caldo do prórpio assado. Bem saboroso e a pimentinha de bico faz a diferença!

Escondi”dão” de Carne Seca
> Resolvi dar esse nome ao Escondido de carne seca para se diferenciar o escondidi”nho”. Mais gostoso do que a versão mini que foi provada na espera. Muito bom mesmo, bem suculento a esse sim tem aquela carne seca de verdade que se desmancha, sabe?

Pudim de Tapioca
> Como bom restaurante nordestino, não pode sair de lá sem provar as sobremesas. Nos foi indicado o Crème Brûlée, e infelizmente junto com o menu de sobremesas nos foi informado que já havia acabado. Portanto pedimos o pudim que é sensacional! Queria ter em casa para comer durante a semana… rsss.

Cartola de Banana
> Típico doce nordestino, a cartola é feita com bastante açúcar, canela, queijo manteiga e neste caso, banana. Bem saborosa também, mas o Pudim estava melhor.

Mousse de Chocolate com Cachaça
> Achei bem simples pois quado se pede um mousse, já se sabe o que vai chegar a mesa. O toque da cachaça é sentido no paladar bem no final e bem suave, sabe? Bom!

Sorvete de Rapadura:
> Sorvete saboroso com pedaços de rapadura soltos e servido a parte vem um caldo de catuaba. Bem saboroso, mas para mim, ainda sou fã do sorvete de rapadura que o Chef Wanderson Medeiros prepara em seu restaurante O Picui e no W Gourmet lá em Maceió, que tem muita coisa boa além do sorvete. Vale a visita e logo mais em uma ida minha a Maceió ganhará post aqui no blog.

Como é de se esperara, depois de muita cachaça, muita cerveja e muita comida, o café não poderia ficar de fora. Tomei o café e me mandei.

Dicas: Durante a estadia de algumas horas, fui coletando algumas informações pertinentes. 1) Tenta chegar por voltas do meio dia. 2) Dizem que no sábado a espera é bem menor. 3) Fui informado que durante a semana é bem tranquilo.

Serviço:
Mocotó Restaurante e Cachaçaria
Av. Nossa Senhora do Loreto, 1100 Vila Medeiros – São Paulo.
Tel: 11 2951.3056
mocoto.com.br
Preço médio: R$100,00

Diversão Garantida!

Foto: @victorcollor