Acho sempre válido, depois de viver uma experiência muito legal, tentar passar o conhecimento adiante, mesmo sabendo que possa interessar a muitos e nem tanto a outros.
Resolvi montar esse post como um guia para curtir o Coachella e algumas dicas preciosas para sobreviver ao deserto e as surpresas que vêm com ele.
Fui nos dois finais de semana, um fotografando pela Revista RG, que já está nas bancas, e no segundo final de semana com amigos, entre eles o meu parceiro Negron, que já é velho conhecido de vocês na série Conhecendo deste blog que vos escreve. Ou seja, tive duas experiências diferentes e muito boas!


Primeiro Final de Semana:
Como vocês viram aqui, cheguei lá sem conhecer quase ninguém da turma da Ausländer. De todos eles, que eram mais ou menos 25 pessoas, acho que só conhecia a Daiane Conterato, Thaila Ayala e o José Camarano de oi e tchau nas voltas pelo Rio. Ou seja, estava com um turma que tive primeiramente que entender, e com simpatia, tentar ser abraçado pela turma. Sim, eu consegui, o pessoal é gente fina demais!
Voltando ao que interessa, nos dois primeiros dias, sexta e sábado, acabamos chegando tarde ao festival, com o sol quase se pondo. Como tudo era novidade, tratei com indiferença o que alguns reclamaram sobre o horário. Só no domingo chegamos cedo e vi que as reclamações tinham razão. Pisamos no festival perto das 4pm e ai sim, consegui ver as cores, as roupas, estilo, atitude… tudo lindo. Bem diferente dos dois últimos dias, chegando no entardecer.

Segundo Final de semana:
No primeiro fique hospedado no hotel The Curve em Palm Springs, que fica a 45 minutos do festival mais 15 minutos a pé até a entrada, mas no segundo fiquei no Hilton em Palm Desert que fica a 30 min do festival. Ambos com organização impecável e nada a reclamar. No primeiro fomos com a van da turma da Ausländer e no segundo pegamos o shutle que levava e trazia o pessoal até a port do Hotel. me custou US$60,00 para ida e volta nos três dias de festival. Achei justo.
Ví muitas outras coisas que não tinha visto no primeiro. Todos os dias chegamos por volta das 2pm/3pm e vimos o sol brilhando por muito tempo! Foi ai que ví a mágica do festival com cores, música e gente bonita e bem vestida.
Fiquei impressionado com a organização do festival, afinal são 180 mil pessoas nos dois finais de semana. Nas duas experiências não tive nenhum problema – uma com van alugada e outra com shutle pago. A única coisa chata era o primeiro Check Point que eles revistavam tudo, desde a sua mochila até o seu maço de cigarro, ainda mais pelo fato de ter sido o famoso mês 4, dia 20. Entendeu?
Mas de resto, nada a declarar!

Separei algumas dicas abaixo que são bem válidas para você curtir o festival e ser feliz:
• Horário >> Não se engane! Chegue cedo para ver como é lindo tudo aquilo com a luz do sol do deserto da Califórnia, as roupas e os mínimos detalhes. Quando chega a noite, não se vê quase nada. Além do mais, tem muitas atrações f*** que tocam às 2pm, 3pm, …
• O que usar >> De dia o sol é de rachar, mas como você está no deserto, à noite a temperatura cai bastante. Eu por exemplo fui de camisa bem aberta com regata por dentro, com um lenço e um casaco na mochila. Gosto de bermuda, mas para festival você acaba que senta ali, tira a carteira ali, barro aqui, preferi ir de jeans. Meu querido Ian Black tinha falado para não ir de calça em nenhuma hipótese, mas eu fui e achei tranquilo. Nos dois primeiros dias do primeiro final de semana, como chegamos no entardecer, fiquei com o lenço no pescoço pois o deserto já dava seus primeiros sinais do frio que estava por vir com uma brisa bem boa.
Já no segundo final de semana, foi bem mais quente e todos os dias chegamos por volta das 2pm com o sol de rachar. Fui com o mesmo jeans e o mesmo tênis Vans e fiquei de regata o tempo todo com uma camisa amarrada na cintura. Um lenço mais leve ajudou para amarrar na cabeça e barrar o solzão, e a noite não esfriou tanto como no primeiro final de semana.
• Roda Gigante >> Mesmo em dois finais de semana, não ter rodado na Roda Gigante, foi um erro! Acho que é um programa que tem que ser feito. Me arrependo, mas é o que temos pra hoje. Muito show bom, muita animação, boas risadas, esquecimentos e nada de ver o festival e o deserto lá de cima. Triste…
• Idade >> Se você gosta de tomar umas, só vá ao festival se você for maior de 21 anos, afinal na Califórnia só bebe quem tem mais do que isso.
• Para beber >> Se for beber, a primeira coisa que você tem que fazer quando chegar ao festival é ir em algumas das cabanas de ID CHECK para pegar a pulseira para ter acesso aos Beer Gardens. Sim, lá você não pode beber e curtir um show ao mesmo tempo. Entre no Beer Garden, beba seu drink, saia de lá e vá ver seu artista preferido. Eu tomei muia Heineken que custa US$9,00.
Eles aceitam carteira de motorista ou RG brasileiro numa boa e não cometa o erro de levar o seu passaporte para o festival… vai que…
• Maconha >> Como disse Caio Braz no ótimo post que ele fez em seu site sobre o Coachella: “Fumar maconha na Califórnia é (quase) legal. Você pode ser examinado por um médico, solicitar a sua carteirinha, e comprar numa boa. Seja consciente e aproveite”.
• Um NÃO para área VIP >> Mais um pérola de Caio Braz que achei ótima e concordo: “Não compre ingresso VIP! Custa o dobro do preço por um cercadinho que fica quase à mesma distância do palco. A não ser que você seja um wannabe-amigo-de-celebs-gringa, mas olha, se for, você não tem nada a ver com o Coachella. Lá todo mundo já é VIP”.
Entenderam o recado?
Aqui no Brasil ir a festivais e ter acesso a área VIP talvez possa até fazer sentido por ter um bar mais acessível, um banheiro com menos fila, ou seja, conforto. No Coachella a coisa é diferente. Quer beber, tem um Beer Garden ali perto, quer ir ao banheiro, tem Banheiro ali do lado e sem fila. Banheiro químico como aqui no Brasil, mas sem fila e sem catástrofes…
• Água >> Na pista só vende água à US$2,00 e alguns Soft Drinks. Se você estiver no mood sustentável, se não me engano você coleta 10 ou 20 garrafas de água usadas que estão jogadas no chão e troca por uma novinha, Legal? É legal, mas haja paciência.
Outra alternativa é pegar a sua mesma garrafinha e fazer o refill em alguma das estações que o festival oferece.
• Segurança >> Ficar de olho nos seus pertences é sempre uma boa em qualquer lugar do mundo, mas lá não é como aqui no Brasil. Pode ficar tranquilo que ninguém vai enfiar a mão no seu bolso atrás do seu iPhone ou sua carteira enquanto você estiver lá pulando com a música do seu artista preferido. Fique tranquilão!
• Alimentação >> Acabei não comendo por lá, mas quem já foi aos Estados Unidos sabe que a maioria do que rola por lá é fast food e junk na veia. Passei algumas vezes pela praça de alimentação e não vi muita coisa que abriu meu apetite. Ou seja, tome um café da manhã bem reforçado do jeito que eles tomam por lá, com ovo, bacon, linguiça – quase um almoço – e vá para o festival feliz. Foi o que eu fiz e tive pique até os últimos shows de cada dia. A energia de lá é demais! Mas não esqueça, tome muita água!!!
• Proteção solar >> O sol é de rachar, mas não passei protetor solar em nenhum dia. Devem estar com uma pergunta né? Não, eu não virei um camarão e sim, é de certa forma irresponsável.
• Lockers >> Levou mochila ou quer guardar algumas coisa? Os caras oferecem lockers na entrada do festival. Genial! Serve também para quem comprar artigos do festival e seus respectivos artistas na lojinha. Vale a pena!
• Pegação >> Não vá até o deserto achando que vai sair beijando todo mundo no clima de sexo, drogas e Rock n Roll. Lá a coisa não é bem assim. Achei muito engraçado, nem ao menos flerte vi por lá… paquera olho no olho, sabe? Engraçado né… mas é assim.
• Acabou a bateria do celular? >> Se seu celular estiver acabando a bateria, lá eles têm uma base onde você deixa seu telefone e eles carregam pra você. Fiz isso e funciona bem. Deixe ele lá dando uma carga e vá curtir algum show. Volte lá e eles te entregarão sem problemas.
• Conexão / Rede >> Falando de celular, lá o 3G (ou 4G) não funcionam muito bem, então mande SMS que tem mais chances de chegar. Ligação funciona vez ou outra. Sugiro comprar um chip americano em L.A. (eu comprei um da T Mobile que me ajudou muito). Quando me perdia da galera, era ele que me salvava.
• Dica valiosa >> Não insista, você não vai conseguir ver todos os shows. E pior do que isso é tentar. Imagina você assistindo duas músicas de cada artista seguido de longas caminhadas até outro palco e assim por diante. Ontem conversei com um amigo e ele comparou a ir a Europa e passar dois dias em casa cidade. No fim você não vê nada direito e perde metade do dia andando pra lá e pra cá.
É mais ou menos por ai. Acho que indo para o festival levando em consideração essas dicas, pode ser bem melhor.
Isso se você não ficar no camping, que falaram que é muito organizado e o único problema é o banho na manhã seguinte. Fila grande para tirar o grude do dia anterior, afinal à noite a temperatura cai e ninguém se arrisca.
Pra fechar o post, digo que o festival é demais, a experiência em si é muito válida e sim, eu voltaria no ano que vem se tiver uma oportunidade. Tem coisa melhor do que curtir um festival, que teoricamente para nós brasileiros é sinônimo de bagunça, de uma forma completamente diferente?
Música ótima, shows lindos, a segurança, os acessos a banheiro e bebida, sem trânsito (90 mil pessoa) … tudo isso com muita gente bonita, bem vestida e livre de julgamentos alheios, sabe? Falei sobre isso no post de Venice Beach. lembram?









Meu racado é: Se gosta do line up, gosta de festival, gosta dessa coisa no meio do nada com gente que está lá com um único motivo – ser feliz. Vá ao Coachella que você não vai se arrepender.
Fotos: @victorcollor