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Lembro quando conheci e ouvi falar no nome de Jefferson Rueda lá atrás, ainda nas andanças pelo centro e no início do ótimo Dona Onça que fica no pé do Copan e tem uma pegada leve, descontraída e despretenciosa com comida ótima e confortável. A relação? Janaina, a querida Dona Onça é mulher de Jefin, como é conhecido pelos mais próximos.
Sabia que Jeferson era gente “boa praça” e estava a frente do Pomodori no Itaim, restaurante que na época era conhecido como um restaurante muito caro, porém bom.

Jefferson então abre o Attimo, restaurante em Moema e dá início ao que hoje é reconhecido pela boa comida e também por ter saído na lista dos estrelados do Guia Michelin com uma estrela.
Reunião ali, tempo aqui e resolvi conhecer o Attimo e seu almoço executivo.

Não fazia a mínima ideia aonde estava localizado, muito menos como se parecia, mas segundo o Thiago Gil, velho conhecido de vocês por ter colaborado em algumas semanas de moda aqui no VICCO, falou que se parecia com uma praça de alimentação.
A entrada é estranha com a mistura de mármore branco, metal cromado, vidro, uma parede de azulejo e adicionado a tudo isso, uma “piscininha” externa com uma varanda com cadeiras também cromadas que mais se parece com essas entradas de hotéis recém lançados em cidades de praia, sabe?
Cruzando a porta de entrada você ainda tem um paredão de espelhos para refletir toda a decoração de gosto duvidoso.

Decoração a parte, não tenho como não falar do serviço e da recepção. Há muitos anos não me deparo com uma situação como essas. Ao entrar, o chefe do salão que me lembrou um dos indianos que fotografei para Gujarat, a minha última expo, me recebe com um certo ar de prepotência e pergunta a quantidade de pessoas. Com o salão quase vazio de um almoço de meio de semana, ele quis me levar para os fundos, lugar mais escuro e próximo a cozinha. Perguntei se não poderia sentar em uma das mesas próximas a saída para a varanda de gosto duvidoso. Afinal, se o ambiente não ajuda, que a luz seja um diferencial, certo? Pelo menos lá tem bastante. O chefe do salão fez uma cara não muito agradável e me “deixou” sentar aonde queria. Quanta simpatia, não?
Acredito que com o prêmio da estrela Michelin, a equipe do salão de Jeferson está achando que pode estar um degrau acima e tratar os clientes de uma forma mais “blasé”, sendo que na verdade um sorriso de ambos os lados torna tudo mais agradável.

Não só o chefe do salão, como toda a brigada, tinha um certo ar de prepotência, o que chegou a deixar o almoço um tanto quanto chato. Para dar início, pedi um Suco de Tomate da casa que não estava lá grande coisa e continuamos para uma taça de vinho. Quando o garçon ofereceu uma garrafa, e nós fomos de taça, ele mais uma vez fez uma cara azeda. Sabe aquela situação que parece que você está de favor no restaurante, é intimidado pela equipe e a cada olhada, parece que você está sendo julgado? Ou até mesmo de imaginar o cara falando: “esse povo que vem aqui e toma uma taça ao invés de uma garrafa de vinho. Pobres!”. Entende? É isso que senti por lá.

No cardápio do almoço executivo em um “flyer”, achei simpático o carinho de Jeferson em escrever a sua história e a valorização do passado, contanto do carinho pelo Bar do Zé e seus PF’s. Eis ai a fonte de inspiração de seu almoço “Zécutivo”, em que o nome já faz homenagem ao seu querido Zé.

Cada dia muda e na terça-feira o cardápio era:

Couvert
Focaccia, Manteiga de Urucum e Berinjela assada
Um dos “simpáticos” garçons chega a mesa com uma bandeija e pergunta qua pão você quer. Você aponta e ele coloca um mísero pedaço. Quando pedi mais uma rodada de pão, mais uma cara azeda. Quando pedi 2 pedaços ao invés de 1, nem se fala, né?
A manteiga de urucum é suave e sem grandes novidades, enquanto a pasta de berinjela é ótima e temperadinha.

Alface Romana, Maça Verde, Queijo Azul e Nozez caramelizadas
Chegam a mesa 4 folhas – sim, 4, de alface romana com os acompanhamentos. A mistura do queijo azul com as nozes caramelizadas é ótima. Essa é uma daquelas saladas saborosas que dá vontade de comer em um pote sabe, mas tive que me contentar com as 4 folhas de alface.

Corte do Açougueiro, Batata Asterix e hortaliças
Para compensar o tamanho da salada, o prato principal vem bem servido. Escrevendo esse post, me falhou a mamória para saber qual carne era, mas confesso que também não estava grandes coisas e inclusive deixei um pedaço no prato. O molho é muito gostoso e a mistura com o purê de batata (sim, batata asterix é o bom e velho “pirê”) é ótima.

Arroz Doce Integral com Toffee e Flor de Sal
A grande surpresa do almoço! Confesso que não sou fã de arroz doce, mas esse aqui estava ótimo. A mistura do toffee com o amendoim crocante é demais!

 

Ainda não conheço o jantar e o menu de Jefferson, mas depois dessa experiência fico me perguntando quando voltar para provar de fato a comida que fez o restaurante ter 1 estrela Michelin. É claro que o almoço não é a mesma coisa, mas mesmo assim o primor da noite, tem que estar na manhã também.

Fico então com uma coisa encucada na cabeça e fazendo uma comparação: Como que um restaurante como esse ganhou a mesma estrela que a impecável dulpa do Maní, Dani Redondo e Helena Rizzo?
Se for pensar demais, os cabelos vão começar a cair… ou seja, aceita que dói menos.

Serviço:
Attimo Restaurante
Rua Diogo Jácome, 341 – Moema
Tel: 11 5054.9999
attimorestaurante.com.br

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Cabelos caem!

Fotos: @victorcollor

Uma coisa que reparei em São Paulo nos últimos anos é que não necessariamente um cara ou uma mulher que cozinha bem e resolve ter seu próprio restaurante, queira ser Chef. Na verdade muitos deles querem ser simplesmente famoso. Quer chegar em algum lugar e ser reconhecido, sair na coluna social da Folha ou do Estado, ser paparicado e todas essas coisas que vêm junto com a tal da fama/reconhecimento. Mas cadê ele na cozinha? Aonde está a sua base de onde veio e chegou até aqui? Muitos deles se tornam Restauranteur, o cara por trás daquela comida, daquela ideia e hoje só “administra” o negócio. Concluo, com minha humilde experiência no assunto, que esses caras nunca chegarão ao que a nova série do Netflix quer mostrar, muito menos ganhar reconhecimento internacional, seja através de estrela Michelin ou não.

Eu queria ter escrito esse post quando comecei a assistir à série, ainda na semana passada. Mas a coisa andou e acabou que no fim de semana assisti a todos os 6 episódios de Chef’s Table, a série documental do Netflix que conta histórias de Chef’s que fazem acontecer e se destacam entre os demais devido à sua vida, às suas condições de trabalho e claro, ao amor que existe na criação de cada prato, em cada prêmio conquistado e por que não no dia a dia na sua cozinha?
Esses sim são Chef’s que estão ali no dia a dia e claro querem ter seu reconhecimento, mas não pelo agito, mas sim por sua comida extremamente especial e claro, o seu passado e sua história de vida, que mostra que sem isso, eles nunca chegariam aonde estão.

As séries ou programas que têm cozinha como foco principal, ou são grandes chef’s julgando amadores ou mostram aquela pegada de receita e do “como fazer” com um passo a passo. Esqueça tudo isso, adicione uma fotografia linda, histórias reais e um roteiro que te amarra em cada conto sem querer deixar passar nada, seja tendo a atenção distraída, seja um simples piscar de olhos. É assim que vejo a série mais legal que assisti nos últimos tempos.

A bela história de vida de Massimo Bottura da Osteria Francescana que incialmente foi odiado pela sua população em Modena, mas que hoje tem seu respeito e amor por toda Itália. Só por ter alterado clássicas receitas da “Nonna”… conhece os italianos né?

A volta às nossas raízes de Dan Barber do Blue Hill em Nova Iorque mostrando como que com o passar dos anos, fomos perdendo as origens dos nossos alimentos como grãos, vegetais e carnes. Solução? Uma fazenda própria para cultivar tudo lindo e da forma que ele bem entender.

A liberdade de Francis Mallmann na Patagonia Argentina e sua história de vida de arrogância recém chegada da França, até sua filosofia de vida atual, que por sinal me identifiquei bastante. A ideia do “raw food” e simplesmente fantástica!

Niki Nakayama. A beleza da vida de uma japonesa que saiu de uma família que a reprimia por ser mulher e chegou ao premiado N/Naka em Los Angeles, misturando cozinha japonesa com seu toque conteporâneo e fazendo pratos que os os clientes jamais esquecerão.

Ben Shewry do Attica na Nova Zelândia e sua relação com a natureza e seu cuidado em cada criação. Confesso que achei esse o menos carismático e o episódio que menos me pegou.

Magnus Nilsson e seu restaurante no interior gelado de Järpen na Suécia, e a sobrevivência e criação para fazer a coisa acontecer em temperaturas tão baixas.

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Assistindo a cada episódio que tem em média 45 minutos, enxerguei alguns brasileiros tendo suas histórias contadas dessa forma, mostrando o seu passado, a trajetória até aonde chegaram e claro, o resultado de tudo isso com uma fotografia linda e um roteiro extremamente amarrado. Atala? Sim, ele eu veria tendo isso, mas quem mais me chamou a atenção que poderiam estar lá foi: Helena Rizzo do Maní, junto com o Dani Redondo e claro, Albeto Landgraf do Epice.
Ambos com bastante história pra contar e claro, que eu gostaria de assistir hoje.
Espero ter isso por aqui ou se não, que venha a “segunda temporada” da série mais gostosa do Netflix.

 

Imagens: Reprodução

Começo esse post falando que se tem um lugar que tenho imensa admiração e carinho, esse lugar se chama Maní – e consequentemente o Manioca, que lá atrás era somente o espaço de eventos na porta ao lado do Maní e hoje é a derivação de uma forma mais cotidiana do impecável restaurante que até agora não entendi por que não ganhou duas estrelas na duvidosa lista do Guia Michelin Brasil que vocês viram aqui.

Quem gosta da boa comida já viu meu post conhecendo o menu degustação do Maní, o prémio de Helena como #1 do Mundo e claro, a Padoca do Mani que assim como o Manioca do Iguatemi, foi aberta recentemente mantendo o mesmo amor, carinho e respeito que Helena, Giovana, Dani e Rafa dedicam em cada uma das casas do “grupo”.

Finalmente fui conhecer o Manioca no Iguatemi e provar as delícias que eles servem por lá. Fui junto com meu parceiro Luciano Ribeiro fazer aquele velho almoço/bate papo. Escolhemos ali por ser perto de seu escritório, a Editora Carbono.
Confesso que não sou grande fã de almoçar em shopping, muito menos sair de uma lugar arejado, uma rua ventilada e se enfurnar em um shopping que sequer você vê o tempo passar, além da vontade de querer comprar algo. Concordam comigo?

Para chegar ao Manioca foi uma dificuldade só. Depois dessas reformas no Iguatemi estou perdidão por lá. Após quatro paradas para perguntar aonde era o restaurante, por fim fui informado que era no térreo da Livraria Cultura.
Entrei na livraria e pah! Um clarão me chamou atenção, luz natural e muitos detalhes rústicos como madeiras, mesas e cadeiras diferentes uma das outras e todas aquelas pequenas lembranças do querido Maní. Sim, o Manioca é lá!

A decoração feita com primor em cada detalhe, desde as mobílias, passando pelo enorme painel de vidro jateado e vigas oxidadas, o chão e as paredes em tijolos aparentes e sem acabamento se mesclando com tubulações aparentes. Se tivesse que dar um nome, chamaria de mistura extremamente agradável do rústico brasileiro com o industrial novaiorquino.
Assim como em todas as outras casas do “grupo”, o atendimento é sem sombra de dúvidas o melhor de São Paulo. Tem coisa melhor do que vocês ser recebido com um sorriso no rosto e sem grandes pressas? E quando você pede uma sugestão de prato e o cara que te atende realmente tenta enxergar através dos teus olhos e buscar o prato que mais vai te deixar feliz? Essa é a filosofia e sim, podemos chamar de lifestyle, da turma comandada com muito carinho por Giovana Baggio e Rafa Lima. Mais uma vez, meus parabéns a vocês!

Falando da ótima comida… Ah o Biscoito de Polvilho! Como é gostoso, não é mesmo? É o mesmo servido no Maní e é opcional. Chega a mesa crocante em um daqueles saquinhos com pegada industrial e acompanha coalhada seca e e requeijão. Como diz as embalagens da Elma Chips, é impossível comer um só. Ainda mais quando você pega um pedacinho que tem uma pedrinha de sal e ela estoura na boca. Hummmm!

Costela de Porco em baixa temperatura com mandioca na manteiga de garrafa e cebola na brasa
A costela se desmancha na boca, o tempero é suave e é de comer ajoelhado de tão boa.
Um prato completo com carboidrato dos bons, cebolinhas que chegam a ser doces e proteína extremamente suculenta – não necessariamente saudável. Mas e ai, o que é saudável? Se estressar por não comer coisas gostosas? Tô fora dessa!

Torta de Maça com sorvete de Canela e pedras de Nata
Crocante, suave, macia e o sorvete de canela – o meu preferido, finaliza com aquela sensação de fechar os olhos. Mais um daqueles pratos que tem que comer tudo junto e misturado. Coloca um pouco de cada na sua colher e se esbalde!

 

Na cozinha, que ocupa um belo espaço e a equipe deve trabalhar felizona, eles têm um forno Josper para finalizar os pratos que dão à comida aquele bom e velho gosto de comida de infância com fogo e fumaça, lembra? Se bem conheço, isso tudo vem dos sabores da infância da turma gaúcha por trás do “grupo” mais legal de São Paulo.

Cafezinho e me fui!

Sevriço:
Shopping Iguatemi São Paulo
Avenida Faria Lima, 2232
> Dentro da Livraria Cultura
manimanioca.com.br

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Muito amor. comida boa e charme em um só lugar!

Fotos: @victorcollor

Acabei de soltar uma foto no instagram do polvo que comi hoje, algumas horas atrás aqui no Akuaba, em Maceió. A legenda dizia: o bom filho à casa torna. É exatamente isso que penso todas as vezes que volto a Maceió e vou lá provar e ser sempre surpreendido pelas delícias que saem da cozinha do Espaço Vera Moreira.
O espaço é uma área que eles chama de “Gourmet” dentro do restaurante Akuaba, velho conhecido por todos em Maceió pela longa e saudável vida na praça sob os comandos de Dona Vera e Seu Osvaldo Moreira, pais de Jonatas. Já falei deles aqui no VICCO, lembram?

Cheguei ontem em Maceió e hoje pela manhã a primeira coisa que pensei foi em ir lá dar um abraço em Jon Jon, jeito velho de guerra que sempre o chamo. Me juntei com o parceiro Victor Hugo Machado, que faz parte da equipe selecionada a dedo pelo Mauricio Vasconcelos na TJ Tamo Junto, empresa responsável pelas bagunças de final de ano lá em Milagres e lá fomos nós.

Papo sobre Lollapalooza, Milagres e bagunças de verão – aqui em Alagoas essa é estação vigente, é sol o ano todo!

Tartar de Atum com Emulsão de Mostarda
Tartar fesquinho pescado aqui na costa de Alagoas. Mais fresco, impossível!
Leve, suave e a emulsão de mostarda dava um toque mais encorpado do que o sabor leve do pescado.

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Tentáculos de Polvo com Musseline de Batata e Beterraba levemente cozida
Jon Jon prepara todos os pratos na sua cozinha, em meio ao salão. A minha ideia é sempre sentar no balcão e foi lá que sentei para acompanhar cada passo, cada ingrediente, cada dose de carinho que esse Chef tem com cada detalhe que adorna seus pratos.
Polvo extremamente macio, bem diferente do que comi no Side Restaurante em São Paulo. Cozido antes e finalizado na panela com manteiga e azeite. O musseline de batata da terra é leve e acompanha bem o mix de polvo com a beterraba, que chega fria e finalizada com uma gota de vinagre branco e flôr de sal. Bem especial, e olha que não sou dos maiores fãs do legume que tem uma das cores mais incríveis.
Em conversa, Jonatas me perguntou sobre o Myk , restaurante grego na Peixoto Gomide em São Paulo. Outro dia estive lá para conhecer e perguntei ao garçon qual era o “carro chefe” da casa. Ele me respondeu dizendo que era o polvo e fui. Não chegou nem perto do que comi hoje no Espaço Vera Moreira.

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Mignon Suíno com Purê de Maçã e Farofa de Biscoito de Polvilho
Cozido a vácuo e em baixa temperatura por longas horas, o medalhão é finalizado na sua frente com manteiga, azeite e um pouco de caldo de carne em uma panela de ferro. Essa caldo formado na panela depois é banhado em cima da peça, do purê de maçã e da farofa.
O mignon chega ao prato desmanchando e extremamente macio. O purê de maçã foi a melhor surpresa do almoço segundo Victor Hugo. A farofa de biscoito de polvilho finaliza com uma textura crocante em meio a maciez da carne e o aveludado do purê. Espetacular!

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Bolinho de Estudante com Doce de Leite de Viçosa (Minas Gerais) e Sorvete de Tapioca das Alagoas.
Clássica sobremesa e velha conhecida dos amantes do Akuaba – e do Espaço Vera Moreira.
Também chamado popularmente de “Punhetinha”, o bolinho que lembra um churros é finalizado com açúcar e canela e é feito de tapioca granulada da terra.
A mistura dos três elementos é de fechar com chave de ouro!

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“O bom filho à casa torna!”

Fotos: @victorcollor

Serviço:
Akuaba – Espaço Gourmet Vera Moreira / Chef Jonatas Moreira
Rua Ferroviário Manoel Gonçalves Filho, nº 06
Mangabeiras (Maceió – AL)
Tel: 82 3325.6199
akuaba.com.br

Toda sexta-feira é dia de dica da boa mesa aqui no VIC&CO. Para quem ainda não está familiarizado, a ideia da série Conhecendo é falar de lugares legais sem ter aquele bla bla bla de termos da alta gastronomia, lero lero e aquele papo chato de ser lido.
A ideia aqui é falar de igual pra igual, mostrando os pratos e falando da sensação de cada um deles, além da experiência no restaurante, que analiso desde a entrada até pedir a conta.

Fui conhecer o Lamen Kazu, um Japaneese Noodle Bar na Liberdade, bairro oriental aqui em São Paulo. Há muito tempo queria conhecer, mas aos finais de semana eles fecham no mesmo horário de dias de semana, por volta das 3pm, e sempre as noitadas não me deixavam acordar mais cedo e chegar a tempo para provar essas delícias.
Resolvi então, junto com minha querida e parceira da boa comida, Luzinha Noleto, ir até a Liberdade e finalmente conhecer uma das casas de noodle mais famosas de São Paulo. Pegamos o metrô na estação de Pinheiros que por sinal é um espetáculo e seguimos até a estação Liberdade. Fomos correndo até o restaurante, pois já beirava as 2:30pm.

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O antigo endereço no número 51 na rua Thomaz Gonzaga tinha um aviso de que eles estavam reformando e estavam alguns passa para trás, do outro lado da rua. Olhamos e parecia uma galeria. Ou seja, eles saíram de uma casinha charmosa e foram para uma galeria? Foi essa pergunta que nos fizemos. Chegando ao segundo andar da galeria estava a plaquinha direcionando quem subia para o tal do Lamen Kazu.
Dos garçons aos cozinheiros, fomos cumprimentados por todos com um sorriso, mas mesmo assim, não conseguiram fazer com que eu não percebesse o quão feio era o lugar, parecendo um restaurante à kilo. Avistamos o balcão e lá ficamos. Uma dica que sempre falo por aí é que em restaurantes orientais, se houver balcão, a experiência será sempre mais agradável. Bata um papo com o pessoal da cozinha, veja o preparo e o mais importante, o prato é mais fresco quando falamos em sushi bar.

Como a idéia é sempre falar por aqui, tem que haver no mínimo uma entrada e um prato principal, ou prato principal com sobremesa. Nessa caso o combo foi de 3.

Guioza

Para dar início pedimos Guioza que vem em uma porção de 5. Quando um dos cozinheiros nos entregou o prato, ele deu a dica para fazer o próprio molho com os ingredientes que estavam ali: shoyu, óleo picante de gergelim e vinagre de arroz. Faz uma mistura dos três, mas não pegue pesado no óleo, pois é bem apimentado para o nosso paladar. Eu amo pimenta, mas acho que vale ter cuidado para não perder o paladar e sentir os sabores do que vem depois.
É muito bom e muito bem feito. Chegaram ao balcão sequinhos por fora e extremamente suculentos e saborosos por dentro. Foi tão bom, que no meio do percurso pedi mais uma porção. Entendeu?

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Shoyu Tyashu
Tradicional Shoyu lamen com acréscimo de 3 fatias de tyashu (porco).
Lembro quando comi um desses pratos no Momofuku Noodle Bar em NYC, também com Luzinha. Desde então não tinha comido nada parecido. O prato consiste em verduras, noodle e porco, banhados por um caldo sensacional. Confesso que escrevendo esse post, antes do meu almoço, me deu vontade de voltar lá para matar o que está me matando.
Boas lembranças de um prato que te abraça e que pode ser facilmente chamado de “Comfort Food”.

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Lá eles não têm café nem sobremesa, então pague a sua conta com a simpática menina do caixa e vá na porta da outra “loja”- que na verdade é tudo do mesmo dono, tome seu café, coma sobremesas engraçadas de sabores distintos e pouco açucaradas.

Bolo de Chá Verde
Muito suave, mas sem grandes amores por ele. Descarte o chantilly  e se divirta com o recheio

Geléia de Café
Nunca tinha visto antes. Ao provar, parecia que estava tomando café coado e frio em uma textura diferente.
A simpática senhora atrás do balcão me ofereceu leite condensado, o que fez mudar completamente a sensação da sobremesa. Muito boa por sinal! Coloque um pouco de leite condensado em cada colherada e entenderás como a coisa muda. Ou seja, não coma sem o “aditivo” de açúcar que não vale a pena… e olha que não sou fã de sobremesas muito doces.

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A boa notícia é que a reforma na casinha é para deixar o Lamen Kazu ainda mais bonito. Inclusive acredito que já devam ter saído da galeria cafona para a charmosa casinha. Agradecemos por aqui!

Serviço:
Lamen Kazu
Rua Thomaz Gonzaga 51, Liberdade
Tel: 3277.4286
lamenkazu.com.br

Depois de muitas tentativas, finalmente fui conhecer o Epice, restaurante que está na minha lista há muito tempo, mas nunca consegui ir. Tentei algumas vezes no almoço, mas sempre acabava chegando depois das 2:30pm, horário que encerra a cozinha, diferente da média que vai até as 3pm.

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Liguei para uma amiga que na sua opinião o Epice é o melhor restaurante de São Paulo, além de ter muito carinho por Alberto Landgraf. Fiz o convite e ela topou na hora.
Recentemente o Epice e as delícias de Alberto receberam uma estrela do Guia Michellin como vocês já viram aqui. Ou seja, tem que ficar ligado nos horários e no site dos caras para fazer reserva. No dia, minha amiga Luzinha entrou e reservou na hora. Tudo bem que estávamos falando de uma terça-feira, 7:30pm, beleza?

Alberto sem sombra de dúvida é um cara que brilha fazendo sua cozinha autoral. Ele estuda, ele pensa, ele desenha, … tudo com muito carinho e imaginando o “curso da história” que seu menu degustação vai oferecer não só em sabor, mas em experiências para os que vão ao Epice provar suas iguarias.

Para constar no radar do roteiro gastronomico, vale saber que Alberto e seu Epice se juntaram com o Leo e Bruno Ventre do Beato e estão se divertindo. O Epice mantém a cozinha autoral de Alberto como sempre foi enquanto o Beato, que antes era restaurante e hoje tem mais pegada de bar e speakeasy com drinks muito bem executados pelo Kennedy Nascimento (@jkennedynascimento). Mas não ache que a comida deixa a desejar. Já conheço o Beato, mas ontem fui lá comer algumas delícias. Semana que vem estará aqui no VICCO na série Conhecendo.

Voltando ao Epice: cheguei lá por volta das 8pm e só havia uma mesa no salão. Confesso que imaginava um lugar totalmente diferente, com uma pegada mais “cosi”, com luz intimista e ambiente mais aconchegante. Recentemente o espaço passou por uma reforma, mas acho que pecou nos sofás pretos e as luzes de led branco, além de 3 aparelhos de ar condicionado em lugares estranhos e muito a vista. Gostei dos bancos do bar e das novas cadeiras, além das mesas em madeira mais clara.

Na chegada fomos recebidos por alguns dos simpáticos e preparados meninos da brigada de Landgraf e logo chegou Jah Nu, o comandante do salão por lá e que sabe tudo o que rola na cozinha e principalmente nos pratos. Converse com ele, bata um papo. Para se ter ideia, o papo foi tão bom ao longo do jantar entre um prato e outro e chegamos a conclusão redundante que manteiga é vida, é amor, mesmo tendo poucos pratos que levam manteiga.
Alberto desceu da cozinha para nos receber e eu disse: “estou aqui para receber ordens e só dizer sim”. Alberto muito calmo e educado como sempre é me perguntou se tinha alguma restrição. Disse que não e lá fomos nós:

drinks
Tomamos dois drinks, um a base de limão siciliano e outro em um pote que tinha base de gengibre e cachaça. Achei esse pote sensacional, pois até o fim do jantar havia bebida e o melhor, estava gelada. Imagina um gim tônica ali… boa ideia não?
Drinks muito bons, leves e cítricos. Tudo pensando por Alberto para harmonizar com suas delícias que estavam prestes a descer.
Confesso que não sou grande fã de harmonização como vocês viram a minha experiência do Momofuko Ko do David Chang em NYC, lembram?
Mas aqui a coisa foi diferente e cada uma das bebidas acertou no ponto e no sabor de cada prato!

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Não sou fã da palavra, mas vamos lá. Os pães feitos lá são tão gostosinhos que parece que saíram da padaria naquele momento. Há também uma leve lembrança de infância, sabe? Ainda mais na minha infância que a maioria dos pães no nordeste têm essa pegada e lá são chamados de pão de seda.
Os detalhes do sal e do azeite também são muito bem apresentados e ficam com você na mesa durante todo o jantar.

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rabanete / castanha de cajú crua
Quase como um prato de boas vindas. O rabanete cru, sobre pasta de castanha e farofa de cogumelos já é de explodir o sabor. Fresco e ao mesmo tempo intenso devido a farofa de cogumelos, é um bom exemplo para o que virá na sequência.

pele de garoupa / creme azedo
Mais um que lembrou infância. Extremamente suave por se falar de uma pele de peixe e o que ganha é pó verde de algas marinhas. Além disso, o creme azedo é muito fresco e leve. Um espetáculo e dá vontade de comer em um balde, sabe?
Pena que só vem uma pra cada. rss

tapioca / gordura de boi maturada
A tapioca chega a mesa como se não houvesse nada, mas a surpresa é grande após a primeira mordida.
Já com a tapioca na boca, parece que Alberto te leva para dentro de uma churrascaria, ao lado do fogo aonde está sendo assada a costela de boi. É simplesmente sensacional e de comer de olhos fechados.

coração de pato / cenoura acidulada
Confesso que esse foi o único prato que não faço questão de comer novamente. A mistura de texturas e sabores é peculiar e vocês vão entender o por que. Quando o prato chegou e fomos informados do que era, fui numa boa comer, afinal gosto bastante de carne, além de miúdos, fígado, muela, etc. Ou seja, achei que seria tranquilo, mas a sensação é uma mistura da textura de uma fraldinha com o sabor de coração de galinha com um final mais forte. Gosto dos dois, mas a mistura foi uma surpresa estranha.
A cenoura obviamente foi raspada do prato e comida de colher.

picles de melão / pimenta schzwan
Luzinha já havia avisado que o melão de lá era puro amor. Houve uma alteração da pimenta, mas mesmo assim, incrível.
O melão vem para limpar o paladar para entrar na segunda parte do menu aonde a coisa só melhora.
Albreto é quem faz seus próprios picles, legal né? Não tão doce, a pimenta ganha vida e confesso que na mistura com o vinho que nos foi servido junto a degustação, fiquei com algumas partes dormentes na boca. Viva as experiências gastronômicas!


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cebola / ricota / pele de frango
Extremamente suave, azedo e doce. Diferente, não? A cebola dá o doce, a ricota um leve azedo e a pele do frango salga. Muito gostoso também, suave e extremamente delicado. Também um dos pratos para comer de colher e de balde.

pupunha / pêra fermantada / mel de jataí
Prato leve e muito suave. Abaixo das fatias de pupunha está literalmente uma gota de pasta de alho negro. Essa mistura é ótima, e muito leve. Essas folhinhas que vocês vêm na foto eu não lembro o nome, mas tem sabor adocicado e segundo Jah Nu, lembra casca de melancia. Não cheguei a esse ponto para sentir, mas o prato é um dos mais delicados em questões de ingredientes e sabor em todo o menu.

sardinha curada / foie gras / brioche
Espetáculo. A sardinha curada com vinagre por Alberto, o foie e o brioche feito em casa é de chorar. Curioso que somos, eu e Luzinha abrimos para “estudar” o que tinha entre as camadas de sardinha, foie e o pão. Lá estava a mesma farinha de cogumelos que veio no rabanete, lembra?
Sensacional e de comer de olhos fechados. A sardinha é muito suave e não tem aquele gosto de mar que espanta muita gente, sabe?

cenoura assada / tucupí / azedinha
Leve e o tucupi reina. A cenoura é desidratada por Alberto até ficar com o mínimo de suco possível. Eu fui comendo uma a uma, mas ao final cheguei a conclusão que é bom pegar a faca e cortar ela em cubinhos e comer de colher junto com o caldo do tucupí e a azedinha.

lula / emulsão de manteiga / banha de porco
Mais um de comer e fechar os olhos. A lula vem em pequenos pedaços cortados de forma irregular e com alguns cortes para facilitar a mastigação e claro, para a emulsão de manteiga pegar mais ao fruto do mar.
Espetáculo! Leve, suave, sabor de manteiga e cozida no ponto certo. Quer mais?
Foi aí que chegamos a conclusão redundante com Jah Nu que manteiga definitivamente é vida!

pele de porco / repolho / caldo de copa lombo
Até agora não consegui esquecer esse prato de tão especial que ele é.
A pele de porco vem em tirinhas finas misturada ao repolho e depois banhada com o caldo.
Me lembrou um pouco pratos da cozinha japonesa pela sua apresentação.
Não cometa o erro de deixar o caldo no prato… aquilo é vida! Peça uma colher ou tome direto no prato, que foi como eu fiz.

cordeiro / abóbora / rapadura
A parte em questão aqui é o pescoço, então tem um sabor mais peculiar.
A carne vem no ponto certo e extremamente macia e com gordura marmorizada. A abóbora é bem suave e tem pouco papel no prato. Já a rapadura dá uma pegada boa na mistura do salgado com o doce, e suaviza o sabor do cordeiro.

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sorvete de castanha crua
A melhor sobremesa que comi nos últimos tempos. Não teria forma melhor de finalizar o menu com um prato desses. A delicadeza no sabor, com a castanha ralada em cima, pouco doce e vai até sal na receita feita na famosa máquina suíça Pacojet.
Mais um para comer de balde!

emulsão de mandioca / limão / garapa
Para escrever sobre a garapa tive que dar um google e para um bom nordestino, isso não passa do bom e velho caldo de cana.
Quando chega a mesa, parece um mar de texturas, mas quando você come, a tal da garapa de dissolve como gelo e o limão ganha mais vida junto emulsão da mandioca.
Um prato sem muita informação e ótimo para acabar um menu espetacular e cheio de experiências sensoriais!

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Pois é, o Epice é um restaurante que vai te deixar com um sorriso no rosto a cada minuto, seja com a chegada de pratos novos, seja com os sabores, seja com o carinho que Alberto coloca em cada uma de suas criações ou seja pela simpatia da brigada do exército de Landgraf. Meus parabéns! Realmente uma surpresa ótima e pratos que ficarão na memória por muito tempo.

Queria agradecer o carinho de meu querido Leo Ventre e ao Alberto, além do Jah Nu, que fizeram da experiência por lá, fazer querer voltar e sair falando pelos quatro cantos o quanto é especial o menu do Epice. Independente de estrela Michelin, Alberto reina!

 

Serviço:
Rua Haddock 1002 – Jardins
Tel: 3062 0866
epicerestaurante.com.br

Ontem a noite rolou abertura oficial do novo ICI Brasserie, casa do meu querido Benny Novak junto com a turma que também gosto muito da Companhia Tradicional de Comercio, os mesmos de Bráz, Lanchonete da Cidade, Astor, Pirajá, Original, … Conhece né?

Os caras já estão há 3 anos no Shopping JK e finalmente estão saindo das vitrines de shopping para a rua… e ela é nos Jardins, na Bela Cintra. Genial não? Bem no início dela, perto da rua Estados Unidos , você já vai enxergar os barris vermelhos que dão o toque minimalista, cool, recheado – são tantos adjetivos legais – da comunicação do restaurante que serve comida francesa de uma forma mais despretenciosa e leve em comparação ao seu ICI Bistrô em Higienópolis, que tem comida do país de Napoleão feita com muito primor.

Ontem, a convite de Benny e de Priscila Borgonovi foi lá conhecer e ver de perto o novo espaço, mas infelizmente não foi dia para comer. Normal, cocktail, convidados, mas gostei dos novos Chopes da casa que Benny produz em parceria com uma cervejaria do interior. Ou seja… nada de long neck quando chegar por lá… prova o chope que vale a pena!
O ambiente tem tudo para ficar ainda mais gostoso se a luz baixar e esquentar o lugar. Tudo ainda muito frio e com pegada de shopping… mas em conversa com Benny isso deve mudar em breve! Sucesso sempre!

Qualquer dia volto para provar e fazer um “Conhecendo” bem mais recheado de comidas boas.

Serviço:
ICI Brasserie
Rua Bela Cintra 2203 – Jardins

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Os Jardins agradecem!

Fotos: @victorcollor