Ontem comentei aqui que iria a pré estréia do filme de Fernando Grostein Andrade e Fernando Menocci, “Quebrando o Tabu”. Saí da sala de cinema com um sorriso no rosto e pensando: “esse documentário tem que ser visto pelo maior número de pessoas possível” e o vejo como um “abre portas” para uma discussão que ainda tem muita estrada a ser caminhada.
Incrível ver Fernando Henrique Cardoso em seu papel de sociólogo engajado, como mencionou meu amigo Cau Saccol no comentário do post anterior sobre o filme, usando de sua sabedoria e posição perante a sociedade para tratar de um assunto tão delicado afim de mostrar à população que essa realidade pode ser diferente em um país como o Brasil, mostrando exemplos de sucesso em outros países como a Suiça, Holanda e Portugal.
Achei miuito interessante a forma didática que Andrade mostra através do roteiro, ícones e números concretos como essa realidade pode ser diferente com a discriminalização, de uma forma que qualquer pessoa é capaz de ver o filme e entender que, de fato, esse é um caminho a ser traçado não só por nós, mas por todos.
Para muitos, o tema parace abordar legalização da droga, o que é bem diferente de descriminalizar:
descriminalização
(descriminalizar + -ção)
s. f.
Ato ou efeito de descriminalizar, de não tratar como crime ou como criminoso.
Ou seja, não tratar o usuário de droga como um criminoso mas sim como uma pessoa que deve ser tratada.
Em visitas à cadeias, Andrade mostra Drauzio Varella dentro dessa realidade vendo a quantidade de pessoas que são presas por porte ou uso de droga e como essa pessoa continua usando a droga mesmo estando dentro da cadeia. No filme ainda é usado o exemplo da cadeia de segurança máxima americana, Sing Sing, em que seus detentos apelidam de “Swing Swing”, por rolar sexo, drogas e rock ‘n’ roll lá dentro, e nos coloca em cheque com a pergunta…
se não é possível controlar o uso de drogas em uma cadeia de segurança máxima (nos EUA!) como você vai controlar o uso de drogas em uma sociedade “livre”?

Quem é criminoso?…. Eu? Você?, Seus filhos? Seus pais? Pessoas que você ama ou pessoas que te amam?
Foto: Mike Piscitelli (exposta no evento promovido pela BillaBong que comentei aqui)
Foto da Foto: @victorcollor